A tradição de grandes vozes femininas na música brasileira

O país do samba já teve na primeira linha vozes femininas lendárias, como Rita Lee, Maria Bethânia, Gal Costa, Clara Nunes e a falecida Elis Regina, que surgiram nas décadas de sessenta, setenta e oitenta. Essas mulheres emblemáticas formam agora uma histórica velha guarda em um país que começa a prestar a atenção a novas vozes femininas de uma geração de cantores com nomes hippies e atitude moderna.

O Brasil tem uma tradição de ter compositores homens e cantores mulheres. Tem sido sempre assim.

Teorias à parte, vamos a elas. A paulistana Céu -, se dependesse apenas do nome, poderia facilmente estar no line up de Woodstock-, de 33 anos, cria seu repertório a partir de uma mistura de MPB (Música Popular Brasileira), samba, hip hop, jazz e afrobeat . Talvez por isso, afirma que não é rotulado como uma cantora solo de MPB, um título que considera limitado. Com cinco cds gravados, em 2005, apareceu na lista das revelações da revista francesa Les Inrocks e levou para casa quatro prêmios Grammy.Céu está na lista dos brasileiros favoritos de Mariana Aydar.

Isso talvez tenha inspirado a Buhr -que além de cantora é atriz e ilustradora – partituras um pouco mais originais do que as produzidas por outras jovens nascidas na região sudeste do país. Seu hit Não me Ame Tanto colar como chiclete e faz mover os ombros, sem querer. “Karina Buhr é uma boa compositora, tem músicas expressivas, e quando sobe no palco é uma rock star”.

Magalhães foi desenvolvido nos últimos anos, talvez por influência do marido, o músico Marcelo Camelo (vocalista da extinta banda Dos Irmãos e, hoje, solo), com quem se mudou para Lisboa em finais de 2013, para “explorar um pouco mais o público fora do Brasil”.

Foi também no exterior que Tulipa Ruiz (nome de uma flor), nascida em Santos (litoral de São Paulo), mas criada em Minas Gerais, encontrou-se com um de seus maiores ídolos, o vocalista da extinta banda norte-americana Talking Heads, David Byrne, que assistiu a um show seu em Nova York em agosto de 2013. “Soubemos que ele gostava do nosso som e convidamos você a participar”, conta a cantora, de 34 anos, com uma voz um pouco mais grave do que a de outras jovens de sua geração.